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Sábado, 22 de Setembro de 2007

RECEPÇÃO AOS CALOIROS 2007/08

 

O fim de Setembro anuncia não só o trágico fim das férias e o inevitável regresso à faculdade, como também uma realidade bastante mais positiva: a chegada de gente nova.

Solitários, meio (ou completamente) perdidos, olhar no vazio, em busca de algo indefinido, os novos caloiros vão chegando a conta-gotas... Procuram garantir bons horários, ao chegarem extremamente cedo ao átrio da estátua do grande Egas.

O seu olhar é misterioso, mas simultaneamente revelador. Escondem inúmeros receios, dúvidas, incertezas, mas evidenciam o enorme orgulho por estarem ali. Mesmo sem saber como irá correr, mesmo perdidos, mesmo repentinamente colocados num ambiente estranho... o orgulho é incontornável. Afinal eles estão na Faculdade de Medicina. Eles estão onde sempre quiseram.

À medida que nos vêem chegar (nós, os "supostos" doutores, carregando, também sem esconder o orgulho, os trajes académicos) olham de lado, tentam disfarçar a sua indubitável condição de caloiros, tentam fugir...

Os primeiros contactos não são fáceis... É com desagrado que vêem pintar-lhes a cara, os braços com as iniciais às quais ainda nem se acostumaram: FML. Reticentes, vêem-se obrigados a juntar-se a outros caloiros em variadas tarefas, diferentes jogos, originais praxes. Tudo parece desnecessário...

Mas aos poucos o milagre acontece. Inicialmente tímidos, reservados... os caloiros começam a aderir verdadeiramente ao espírito das praxes, à união dos grupos, às brincadeiras. Começam a conhecer-se uns aos outros, a estabelecer os primeiros contactos, a decorar as primeiras caras e os primeiros nomes.

Começam a conviver mais naturalmente connosco (os tais supostos doutores) e a aperceber-se que estamos bem mais próximos do que inicialmente puderiam julgar.

Ao fim de uma semana de praxes, durante as matrículas dos alunos de 1.ºano, posso dizer que a experiência tem sido verdadeiramente gratificante. Ao contrário do que muitos possam pensar, não é o "fazer mal" que é divertido. Sobretudo porque na minha faculdade não fazemos mal. Através de meras brincadeiras (que vão desde jogos de grupo a canções) procuramos integrá-los junto uns dos outros na faculdade, procuramos conhecê-los, dar-lhes a conhecer a faculdade e ajudá-los.

E depois surgem as revelações. Caloiros que mesmo já estando matriculados continuam a ir à faculdade só para as praxes, caloiros que nos dias seguintes são os primeiros a tomar a iniciativa de nos cumprimentar (sem medos nem vergonhas), caloiros que mandam mensagens a contar que chegaram a casa (desde o Porto a Faro, etc...), caloiros que perguntam quando são as próximas praxes ou quando há festas e jantares académicos...

Em todos eles vejo o mesmo espírito que me moveu há um ano. O mesmo olhar inicialmente apavorado e aos poucos familiarizado com o novo ambiente, em muito, graças às praxes. Um mesmo árduo caminho percorrido para ali chegar, as mesmas aspirações, o mesmo sonho por concretizar, as mesmas ambições, os mesmos secretos desejos...

E a sincera vontade de ser feliz no destino que escolhemos.

É isso que desejo a todos eles, novos colegas, (alguns) novos amigos, futuros médicos... que a nossa faculdade lhes traga a todos muito sucesso e felicidade!

 

 

publicado por Dreamfinder às 20:27

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Sábado, 23 de Junho de 2007

DIA NACIONAL DA FRUTA

 

A iniciativa da Compal é original e interessante: conseguir criar um Dia Nacional da Fruta. Na verdade, e com a enorme panóplia de dias nacionais que existem actualmente, porque não criar também um dia da fruta? Se isso também servir para sensibilizar a população para a importância do consumo regular e variado de fruta, melhor ainda: vamos então contribuir para criar um Dia Nacional da Fruta.

Basta ir a http://www.diadafruta.pt/ e assinar a petição. Porque não?

 

publicado por Dreamfinder às 21:03

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Sábado, 9 de Junho de 2007

ABORTO, A SAGA CONTINUA

Alguns meses após aprovada a lei confirmam-se os receios de muitos... Até que ponto tem o serviço nacional de saúde capacidade para responder com os meios adequados à legalização do aborto ou, se preferirem o esforçado eufemismo: IVG - interrupção voluntária da gravidez?

Vários problemas se colocam. Na verdade, o tom orgulhoso com que as vozes pelo sim ao aborto se ergueram durante a campanha para o referendo não correspondem, muitas das vezes, à verdade... Ou seja, poucas são as mulheres capazes de assumir que já fizeram um aborto, pelo que o anonimato desta prática tem sido uma das problemáticas levantadas. Uma coisa é certa e, segundo garante o director-geral de saúde, as mulheres só poderão fazer um aborto num hospital da sua área de residência. Além da questão do anonimato que não deveria assustar estas mulheres que com tanto orgulho se mostram a favor do aborto, há uma outra questão: os meios disponíveis para fazer cumprir a lei.

Os hospitais terão de ser munidos de equipamento próprio e, além disso, são necessários profissionais especializados. Será que todas as mulheres terão igual direito a fazer um aborto? Ou será que depende da sua área de residência e dos meios disponibilizados no hospital da mesma?

Uma coisa que me agrada particularmente é o número de médicos que se mostra contra a prática do aborto. Lembro-me de ter vibrado, dias antes do referendo, com o emocionado discurso do Dr. Francisco Gentil, a favor da vida humana e contra o aborto.

Logo, não posso ficar indiferente à notícia publicada pelo Jornal Público que revela que a maior parte dos médicos do serviço de Obstetrícia do Hospital Santa Maria se tem manifestado contra a prática de abortos. Assim, cerca de 70 a 80% dos 34 especialistas e 16 internos que trabalham neste serviço vão invocar o estatuto de objector de consciência para não praticaram IVGs.

Aquele hospital, que é quase como uma casa, depois de um ano de "visitas diárias" e, sobretudo, porque mais 5 anos por lá se adivinham, pelo menos está sempre a surpreender-me... com boas notícias.

 

publicado por Dreamfinder às 12:29

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2007

HOMENAGEM MUITO ESPECIAL

 

Se, por um lado, este pretende ser um blog sobre Medicina, por outro, é um blog meu, estudante de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa... Como tal, dou-me ao luxo de fugir a alguns parâmetros...

Como era de esperar, pelo menos no seio da nossa grande faculdade, a Mané foi contemplada com o prémio de Grande FMélica pelo fantástico contributo que dá diariamente à nossa faculdade, particularmente na disciplina de Introdução à Medicina.

Assim, quero deixar também aqui o meu reconhecimento a esta grande pequena senhora da FML pela sua constante disponibilidade, irreverência e simpatia.

Parece-me, no entanto, justo que o pódio seja partilhado pelo seu "colega", o Dr. Miguel, outra personagem fundamental no palco da FML, sempre prestável e omnipresente.

A ambos, um sentido obrigada!!!

 

Já agora passem por:

http://fracturaexposta.blogspot.com/

 

Não se vão arrepender!

 

E porque estou numa de agradecimentos (e porque a foto o justifica) um grande beijinho aos meus colegas e amigos da faculdade, que me aturam dia após dia sem reclamar (por enquanto...).

Um beijinho especial para a Carolina, a Telma, o Fernando, o Francisco, as Joanas, a Rita, ... Obrigada pelo apoio constante!

 

Vânia Caldeira

publicado por Dreamfinder às 16:55

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

A MAIS BELA DAS CIDADES

"Pensa que o tempo é uma casa e que, infelizmente, aos que não têm saúde só resta uma cabana. Mas se cada um de nós, donos de mansões, lhe dermos um tijolo, o mundo poderá ser a mais bela das cidades."

Maria Rosário Pedreira

publicado por Dreamfinder às 22:41

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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

"PATCH ADAMS"

 

Este magnífico filme inspirado em factos verídicos é uma verdadeira lição sobre o que a Medicina deve ser.

É numa clínica psiquiátrica, quando ajuda um colega, que Patch descobre a sua verdadeira vocação: quer tirar o curso de Medicina para ajudar os outros.

Mas Patch não marca a vida das outras pessoas apenas por este seu desejo de os ajudar, marca-a sobretudo pela diferença, pela irreverência dos seus gestos e pela bondade das suas palavras. Os seus métodos convencionais são pouco apreciados pelos docentes e por alguns colegas. Por exemplo, ele diverte as crianças com cancro utilizando um simples nariz de palhaço.

 

“A Medicina é mais do que memorizar factos.”

 

Patch quer saber o nome do paciente e não o número da cama, é compreensivo e simpático, quer ajudar tudo e todos. É um estudante de Medicina sempre insatisfeito, tal o tamanho da sua vontade de ajudar e a sua esperança num mundo perfeito, onde tudo é possível, até mesmo uma Medicina humanizada, sem estatutos ou diferenças.

A sua melhor amiga, Carin, pelo contrário, tem a ambição de estudar mesmo a sério, quer a bata branca, quer ser tratada por “Dra”, quer o reconhecimento devido. Com Patch, no entanto, ela verá além da Medicina que conhece, ela alargará os seus horizontes…

 

“Depois conheci-te. A maneira como ajudas as pessoas, Patch, as mudanças que vejo nas pessoas que te rodeiam…”  (Carin)

 

Nesta altura, Patch cria uma clínica para atender excedentes (pessoas com problemas legais). Recebem doentes de 3 hospitais diferentes. As pessoas agradecem imenso este gesto. A clínica está sempre cheia de pessoas que necessitam da boa vontade destes estudantes. Num dia, escasseiam as ligaduras e Patch e um amigo vão roubá-las ao hospital. Carin fica sozinha e recebe a chamada de um estranho paciente que estivera noutro dia na clínica. A meio da noite ela vai visitá-lo, a pedido do mesmo, e encontra-o muito estranho. No dia seguinte, Patch recebe a notícia do assassínio da amiga e namorada.


“Amo-te sem saber como, ou quando ou de onde. Amo-te tal como és, sem complexos nem orgulhos. Amo-te porque não sei outro caminho além deste, tão perto que a tua mão no meu peito é a minha mão. Tão perto que quando fechas os olhos adormeço.”

 

 

Ele quer desistir, nada mais faz sentido, ir embora do “hospital improvisado”. Truman lembra-lhe que desistir desta clínica é desistir dos sonhos em que acreditavam, dos ideais de que Carin também partilhou. É naquilo que eles acreditam, se desistirem tudo foi em vão.

 

“Fui eu que a matei, Truman. Ensinei-lhe a Medicina que a matou. (…) Ela ainda estaria aqui se eu não a tivesse conhecido.”

 

Mas nada parece demover Patch da sua angústia e da entrega. Porém, num determinado dia, um colega de curso que nunca gostou de Patch nem dos seus métodos pouco convencionais, dirigiu-se a ele desesperado:

 

“Não te podes ir embora, Patch. Conheces a Sra. Kennedy do 212? Não come. Visitei o seu quarto, todos os dias, nas últimas 3 semanas. Não consigo fazê-la comer. Sei tudo o que há para saber de Medicina. Estudei arduamente. Garanto-te que supero em diagnóstico qualquer médico deste hospital. Mas não a consigo fazer comer. Tu tens um dom. Tens jeito para lidar com as pessoas. Elas gostam de ti. E se fores embora, eu não posso aprender esse método.”

 

Novamente motivado a ficar, Patch continua a ter um problema: o reitor que o persegue desde o primeiro dia. Patch descobre nos registos de aluno que o reitor o acusa de “felicidade excessiva”. Utiliza isto para se queixar de preconceito num conselho da faculdade. Neste é acusado de exercer Medicina sem licença e perguntam-lhe se faz ou não tratamentos.

“Em que ponto da História é que o médico se tornou mais do que um amigo de confiança, instruído que visitava e tratava os enfermos?”

 

Patch defende-se das acusações e ao fazê-lo, não só encanta toda uma plateia, como dá uma verdadeira lição sobre os ideais que devem viver na Medicina, os valores humanos de que ela deve ser novamente inspirada. A relação médico-doente é fundamental para que a Medicina possa ser praticada e tenha sucesso. Não devemos procurar tratar doenças, mas tratar doentes, em toda a sua complexidade biológica e psicológica.

 

“Que mal tem a morte? Porque não a encaramos com humanidade, dignidade e decência? E talvez até humor? A morte não é o inimigo, senhores. A lutar por uma doença, lutemos contra uma das mais terríveis: a indiferença. Sentei-me nas vossas escolas e ouvi pessoas falarem de envolvimento e distância profissional. O envolvimento é inevitável. Todo o ser humano tem impacto noutro. Porque não queremos isso numa relação médico-doente? A missão de um médico deve ser não só evitar a morte, mas também aumentar a qualidade de vida. Eu quero ser um médico com todo o meu coração.”

 

Em jeito de conclusão, Patch mostra que aquilo em que acreditamos vai além de nós mesmos, das convenções, das regras, do que os outros querem. Os ideais em que acreditamos podem vencer todos os obtáculos que encontram no caminho. Basta acreditarmos que é possível!

 

“Podem impedir-me de conseguir o título e a bata branca, mas não podem controlar o meu espírito. Não me podem impedir de aprender, não me podem impedir de estudar. Têm uma escolha: podem ter-me como um colega profissional e dedicado, ou podem ter-me como um forasteiro, sem rodeios, inflexível. Talvesz continue a ser visto como um espinho. Mas sou um espinho que não desaparecerá.”

 

O responsável pelo conselho da faculdade e pelo destino de Patch, cede às maravilhosas declarações do estudante de Medicina e decide deixá-lo cumprir a sua vocação:

 

“Juntamente com a sua rudeza e comportamento tem um entusiasmo, uma chama que só podemos esperar que se espalhe pela classe médica como um incêndio.”

 

O filme “Patch Adams” é uma lição de vida, sobre a importância de nos darmos aos outros, para nos revermos neles e para melhor nos conhecermos e realizarmos.

 

“É por isso que quando tratam uma doença perdem ou ganham.

Se tratarem uma pessoa, garanto-vos, que ganham,

seja qual for o resultado final.”

“Patch Adams”

publicado por Dreamfinder às 21:43

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Quinta-feira, 17 de Maio de 2007

O CANCRO DO CÓLON E RECTO

Todos os dias somos confrontados com a enorme diversidade de cancros que atingem a população. Mas será que somos efectivamente alertados para os mais incidentes? Para aqueles que mais matam no nosso país? Provavelmente não.

O Cancro do Cólon e Recto é, certamente, um daqueles com o qual estamos menos familiarizados, já que não tem a mesma projecção que o cancro da mama ou o do pulmão, no que toca a divulgação pelos meios de comunicação. E, no entanto, é dos cancros com maior mortalidade e incidência em Portugal.

O Cancro do Cólon e Recto resulta de um espessamento anormal da parede interna do intestino grosso e geralmente desenvolve-se a partir de pequenos pólipos, inicialmente benignos, que vão crescendo até criarem metástases (situação em que estamos já perante um carcinoma).

O Cancro Colo-Rectal pode ser considerado uma doença da civilização, afectando particularmente os países mais desenvolvidos, facto que está relacionado com a dieta rica em gordura animal e pobre em fibras. Entre os factores de risco que aumentam a susceptibilidade a este tipo de cancro podemos salientar: a idade (com o aumento da idade, aumenta a incidência de CCR), a história familiar e pessoal de cancro, a existência de pólipos colo-rectais (que devem ser removidos, mesmo que sejam benignos), doenças genéticas (como o Carcinoma do Cólon Hereditário Não associado a Polipose – CCHNP – ou como a Polipose Adenomatosa Cólica Familiar - PACF), doenças que afectam o intestino como é o caso da Doença de Crohn ou da Colite Ulcerosa e ainda a alimentação (o consumo excessivo de gorduras animais e alimentos fumados e a pobreza em vegetais, fruta, fibras, cálcio, …), o excesso de peso, o sedentarismo e o tabagismo.

Nos últimos 30 anos tem-se verificado um aumento significativo da incidência deste tipo de cancro, que afecta mais os homens e que é diagnosticado sobretudo a partir dos 50 anos (cerca de 50% dos casos). Este cancro afecta sobretudo o recto, o cólon ascendente e o sigmóide.

Mais de metade dos casos quando diagnosticados, já não são curáveis, resultando na morte da pessoa afectada. Actualmente, o Cancro do Cólon e Recto é aquele que mais mata em Portugal, com uma média de 10 mortes/dia.

A prevenção tem de ser uma arma a utilizar contra estes números, para que se possa, por um lado, diminuir a incidência de CCR na população e, por outro, a mortalidade enquanto consequência de um diagnóstico tardio. É assim importante uma prevenção primária através da sensibilização das pessoas para esta realidade que é o Cancro do Cólon e Recto, informando-as destes números alarmantes e de que é possível prevenir, adoptando comportamentos e estilos de vida mais saudáveis. Entre as medidas a tomar revelam-se importantes a prática de exercício físico regular e sobretudo a adopção de uma alimentação adequada, hipo-lipídica, rica em fibras, fruta, vegetais, peixe e oligoelementos (como o cálcio, ácido fólico, selénio, vitaminas A, C, D e E). Também é significativo que as pessoas estejam alertadas para os sintomas do CCR, havendo assim uma maior vigilância individual para que não hesitem em caso de dúvida a procurar um especialista. O CCR pode provocar a alteração dos hábitos intestinais, diarreia, obstipação, sangue nas fezes, desconforto abdominal, perda de peso, cansaço, … Por fim, é ainda fundamental a sensibilização da população para a importância do diagnóstico precoce, que aumenta significativamente a taxa de sucesso dos tratamentos e, consequentemente, a estimulação da população para a prática de uma prevenção secundária.

A prevenção secundária é realizada em indivíduos assintomáticas que aparentemente não têm a doença, através do rastreio do CCR. Este rastreio pode ser feito através da PSO (pesquisa de sangue oculto nas fezes), SF (sigmoidoscopia flexível), colonoscopia (é o método de rastreio mais eficaz e completo), polipectomia, …

A prevenção terciária é levada a cabo em indivíduos que já contraíram a doença e consiste no tratamento da mesma. Consoante a fase da história natural da doença em que esta é diagnosticada, as características particulares do paciente (idade e outras patologias), escolhe-se o tipo de tratamento, que pode ter fins curativos ou paliativos.

Concluindo, o Cancro Colo-Rectal é um dos cancros mais incidente e que mais mata em Portugal. Logo, revela-se fundamental a divulgação desta realidade negativa e a instigação da população no sentido de tomar medidas preventivas e facilitar o diagnóstico precoce.

 

publicado por Dreamfinder às 20:12

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Sexta-feira, 11 de Maio de 2007

A SAÚDE DA MULHER

Entre os grupos de risco que merecem particular atenção da Medicina Preventiva, está a mulher, ao longo das várias fases da sua vida e que devem ser marcadas por diferentes e adequados tipos de prevenção.

Até à adolescência (18 anos), as raparigas devem ser seguidas por um pediatra, que deve acompanhar o seu crescimento, no qual se destaca o início da menstruação (menarca), cuja idade média actualmente é de 13 anos.

Com o início da actividade sexual, o pediatra ou o médico de família deve reencaminhar a adolescente para consultas de planeamento familiar ou para um ginecologista. Nestas consultas deverá escolher-se o mais adequado meio de contracepção e a jovem deverá ser informada sobre as doenças sexualmente transmitidas e os comportamentos sexuais de risco a evitar.

Outra fase importante na vida da mulher é o primeiro parto, cuja idade tem sofrido um atraso progressivo, situando-se a idade média da primeira gravidez entre os 28 e 29 anos. Além da vigilância clínica da gestação, também importante a atenção do médico à forma como a gestante concilia a vida familiar com a profissional e ainda é importante efectuar a prevenção primária do cancro da mama e da obesidade.

Durante a idade adulta é fundamental o acompanhamento médico de situações clínicas como a prevenção do cancro do colo uterino (através do exame de Papanicolaou ou de uma colposcopia), patologia referente à qual somos o país da UE com maior incidência, prevalência e mortalidade; prevenção secundária do cancro da mama (através da auto-palpação mamária, ecografias e mamografias regulares a partir dos 40 anos); a prevenção da osteoporose, que afecta particularmente o sexo feminino (através de uma dieta equilibrada, exercício físico e terapêutica hormonal).

Na menopausa os cuidados médicos devem voltar a acentuar-se, dando particular atenção aos sintomas neuro-vegetativos, à osteoporose e ao risco de doenças cardiovasculares.

Por fim existem ainda questões acessórias, mas que também merecem grande atenção por parte do médico, como a violência doméstica, o contexto laboral (saúde ocupacional, doenças profissionais e ainda casos de assédio sexual no local de trabalho) ou, por exemplo, um assunto cada vez mais actual e de índole ética como é a interrupção voluntária da gravidez.

Em conclusão, a mulher é, ao longo de toda a sua evolução, uma vítima frequente de inúmeras patologias, devido às suas características tão peculiares. Exige por isso uma atenção acrescida por parte do médico que a acompanha ao longo do seu ciclo de vida e é um dos alvos principais da Medicina Preventiva, já que a prevenção faz, certamente, a diferença!

publicado por Dreamfinder às 20:42

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Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

TRABALHAR EM EQUIPA

O Seleccionador Nacional da Selecção de Râguebi, Tomaz Morais, foi hoje convidado a dar o seu testemunho numa aula de Introdução à Medicina sobre trabalhar em equipa. E foi muito além de um testemunho, deu-nos uma verdadeira lição de vida sobre a importância das relações que estabelecemos e da força que elas nos dão para vencer.

É óptimo se uma equipa for constituída pelos melhores especialistas, os mais dedicados, os mais competentes, os mais capazes, … Mas se a equipa, em vez de funcionar como um todo, estiver fragmentada, dividida, um verdadeiro caos, em que cada um luta individualmente para se afirmar e para evidenciar as suas capacidades… o mais certo é não se obter sucesso.

Assim, e porque trabalhar em equipa não só é necessário para vencer na selecção de râguebi, como também é exigido, todos os dias, aos médicos, é importante que guardemos este espírito de equipa, esta força de colaboração e de entre-ajuda e esta consciência de que se queremos ser verdadeiramente bons médicos, teremos de estar unidos e de saber trabalhar como equipa.

Trabalhar em equipa inclui sempre que as pessoas dessa mesma equipa se conheçam bem entre si, que confiem umas nas outras, que cada um reconheça as suas capacidades, mas também os seus limites. É necessário a definição de objectivos, de metas a alcançar. E depois é percorrido todo um caminho que, quando percorrido em união, pode levar ao sucesso, ou seja, à concretização dos nossos objectivos.

Um cirurgião tem de trabalhar em equipa no bloco… com o anestesista, com os auxiliares, com os estagiários, com as funcionárias de limpeza do bloco, com os enfermeiros…

Um médico de família tem de trabalhar em equipa com os outros médicos desse centro na partilha de informações, de dúvidas, experiências… E também trabalhar em equipa com outros especialistas, quando é caso disso.

Trabalhar em equipa é fundamental para vencer. Nunca nos podemos esquecer desta enorme lição de vida!

 

Afinal, haverá assim tanta diferença entre estas duas equipas?

 

publicado por Dreamfinder às 19:14

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Terça-feira, 8 de Maio de 2007

TRADIÇÃO ACADÉMICA

 

A Tradição Académica representa a verdadeira alma do estudante, é um símbolo do nosso país, um traço do nosso espírito.

A tradição académica não se esgota na praxe, é a vivência sentida de uma história, de uma cultura.

Em 1228, época marcada pela evolução económica, social e cultural, D. Dinis fundou os Estudos Superiores de Lisboa, aprovados pelo Papa Nicolau IV, em 1290. Devido a distúrbios entre estudantes e a população, em 1307, o rei pede ao Papa para mudar as instalações de cidade, o que só acontecerá em 1308, tornando-se assim a Universidade de Coimbra numa das mais antigas da Europa. D. Dinis ordenou horas de estudo e de recolher. Caso os estudantes não cumprissem eram detidos pela polícia universitária. Como em qualquer outra instituição, foi implementada uma hierarquia, tendo por base o número de anos que o estudante frequenta. Estas e outras ordens que foram instituídas serviriam de base para a praxe. Por exemplo, com a extinção da polícia universitária, surgiram as trupes. A prática da praxe teve alguns interregnos devido a condições políticas, económicas e sociais, como a proclamação da República e a 1 Guerra Mundial.

Os universitários foram, por diversas vezes, exemplo de um espírito inconformista e reivindicativo. Relembremos: o movimento estudantil no "Maio de 68"; o protesto contra a discriminação sexual nas universidades; no início dos anos 60, acções de apoio ao movimento de negros, de defesa do meio ambiente e contra a guerra nuclear; luta contra o salazarismo, a guerra colonial, o regime racista da África do Sul e o fascismo Marcelista; contestação às PGA's e às propinas. Os estudantes estiveram sempre na frente, prontos a lutar pelos seus ideais, por aquilo em que acreditavam.

Durante a ditadura, a praxe teve altos e baixos devido à forte contestação estudantil e à reacção que suscitava. Muitos estudantes sofreram represálias, o que culminou no Luto Académico, em 1969, como forma de protesto à repressão, os universitários suspenderam as actividades académicas. Com o fim do luto, iniciou-se em 1979, em Coimbra, a Ordem da Praxe e Academia por um grupo de Veteranos preocupados com a "perseguição política" e os exageros que caracterizavam a reactiva praxe de Coimbra. Esta expandiu-se por território nacional e internacional (Espanha, Itália, França, Reino Unido, Irlanda e EUA). Actualmente, existem movimentos anti-praxe, nomeadamente, o MATA (Movimento Anti-Tradição Académica) e o Antípodas que, alegando tratar-se de um atentado à dignidade e à integridade física e psicológica, pretendem abolir a praxe. Estes fazem referência ao artigo 37º da Constituição da República Portuguesa, cujo paradigma se pauta pelo direito à livre expressão e garante o respeito pela dignidade da pessoa humana. Apesar das inúmeras tentativas de o abolir, o espírito académico tem resistido aos inúmeros obstáculos.

O seu símbolo máximo é o traje académico e que foi objecto de significativas transformações, no talhe e no aspecto, ao longo dos anos. Reza a história que, no séc.XVI, é introduzida no vestuário a calça. O Clero que dominava o ensino, considerou tal indumentária imprópria, defendendo o uso de uma batina até aos pés, que passou a usar, assim como os estudantes e professores universitários.

Quando é publicado o I Código da Praxe Académica, em 1957, o traje passa a ser uma entidade uniformizadora, permitindo a normalização de estatutos sociais e económicos de todos os estudantes. As normas são explícitas, todas as etiquetas devem ser removidas para não haver distinções, não se pode evidenciar sinais de riqueza, deve-se ser discreto. O traje representa humildade e respeito, deve ser usado com orgulho, nunca com arrogância ou vaidade. Trajados todos são iguais, as pessoas apenas se distinguem pelo que valem, não pelo que têm. Podemos concluir que entre iguais são ímpares, únicos, acreditando-se que daí advém a simbologia do ímpar na praxe. O traje feminino surgiu no Porto.

O "rasganço" após a licenciatura deve ter surgido com a "Farraparia" que durou até 1910, era feita na Faculdade de Direito de Coimbra, após o anúncio do último dia de aulas, em que os alunos do 1º ano esperavam os do 5º, perseguindo-os com a finalidade de lhes rasgar as batinas e as capas. Os cortes na capa têm um significado, são feitos pela família (lado esquerdo), amigos (lado direito) e pelo(a) companheiro(a) (centro).

As fitas são uma consequência da pasta dos meados do século passado que tinha três laços de fita da cor da Faculdade para prender as duas partes que a compunham. A tradição de as queimar remonta à década de 50, do séc. XIX. Mais tarde, vieram as Festas do Ponto (Latadas, Centenários da Sebenta e Enterro do Grau). O primeiro acto conhecido das festas ligadas à queima das fitas, já com programa estruturado, data de 1901. A partir de 1926, os grelos passam a queimar-se no "penico", motivo pelo qual é símbolo praxístico; como a tesoura, que as trupes usam para o rapanço; a moca; e a colher, que está relacionada com o nascimento das tunas, que se deu em Espanha, onde os estudantes que eram muito pobres, andavam de porta em porta, a tocar e a cantar, com uma colher a pedir sopa. As fitas, assim como a semente, a nabiça, o grelo, a cartola e a bengala, são insígnias, representando o ano que se frequenta.

Após vários incidentes, durante as semanas da queima, por actos menos próprios de parte a parte, surge uma novidade. A Faculdade de Medicina, na qualidade da mais antiga do Porto, em parceria com Letras e Ciências, está a iniciar na praxe cerca de 60 pessoas de Arquitectura, do 1º ao 5º ano. O saldo, segundo os que aderiram, "é positivo pois permite conhecer mais gente numa semana do que em todo o curso, no verdadeiro sentido da palavra, pois há um forte companheirismo". Acerca das reacções dos restantes, "há ainda um longo caminho a percorrer até que o facto seja, simplesmente, tido em consideração, mais por parte de professores do que dos alunos. Há ideias pré-concebidas, muitos nem tentam saber do que se trata, negando algo à partida. Os media têm o seu quinhão de culpa ao noticiar apenas o lado negativo por ser o mais rentável. Apesar disso, admitem que, "por vezes, há abusos de autoridade que se traduzem em incidentes graves." Mal interpretada por uns, mal exercida por outros, a praxe académica é e sempre será um terna controverso, objecto de debate. Dizem que para quem não acredita nenhuma explicação é possível e para quem acredita nenhuma explicação é necessária. Talvez seja isso que acontece com a praxe, para quem não a vive é inconcebível, mas para quem a vive é incontestável.

O que é certo é que aproveitaremos estes 6 anos de curso para viver intensamente a tradição académica.

Porque acredito nela, porque sei que ela representa valores estudantis inabaláveis, ideais que nunca pdoerão ser calados, forças que podem vencer sempre! A tradição académica é o que somos, é o que nos traz aqui. A vida passa depressa demais para que a evitemos, para que fujamos de tudo o que tem para nos oferecer. E acredito plenamente que a nossa vivência da tradição académica será certamente algo que nunca esqueceremos pela vida fora.

Por isso, e como me disseram aquando do traçar da capa: “Nunca deixes morrer a tradição académica!”

 

“Além das aptidões e das qualidades herdadas,

 é a tradição que faz de nós aquilo que somos.”

Albert Einstein

publicado por Dreamfinder às 15:02

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